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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Escreva na areia!



Certa feita, dois amigos, Mussa e Nagib, viajavam pelas estradas que recortam as tristes e sombrias montanhas da Pérsia. Eram nobres e ricos e andavam acompanhados por seus servos e ajudantes. Certa manhã, chegaram as margens de um grande rio barrento e impetuoso. Para que continuassem o caminho, era preciso transpor a corrente ameaçadora. Porém, ao saltar de uma pedra, Mussa foi infeliz e caiu no torvelinho espumante das águas em revolta. Teria ali perecido, arrastado para o abismo, se não fosse Nagib. Este, sem a menor hesitação, atirou-se à correnteza, livrando da morte seu companheiro de jornada.

Mussa, já sob uma coberta quente e confortável, ordenou que o mais hábil de seus servos gravasse na face lisa de uma pedra, que ali se erguia, esta legenda admirável. O servo gravou:

"VIAJANTE, NESTE LUGAR COM RISCO DA PRÓPRIA VIDA, NAGIB SALVOU HEROICAMENTE SEU AMIGO MUSSA".

Feito isso, prosseguiram com suas caravanas pelos caminhos do Oriente.

Cinco meses depois, durante a viagem de regresso, encontravam-se os dois amigos naquele mesmo lugar perigoso e trágico. E, como estavam fatigados resolveram repousar à sombra acolhedora da pedra que ostentava a honrosa inscrição feita por Mussa.

Já acomodados na areia clara, começaram a conversar, e, eis que por motivo fútil, surgiu de repente grave desavença entre os dois companheiros.

Discordaram. Discutiram. E então Nagib exaltado em um ímpeto de grande cólera esbofeteou brutalmente o amigo.

Mussa, sem dizer palavra alguma, não revidou a ofensa. Ergueu-se e tomando tranqüilo o seu bastão andou até a margem do grande rio. Ali escreveu na areia, ao pé do negro rochedo:

"VIAJANTE, NESTE LUGAR POR MOTIVO FÚTIL, NAGIB INJURIOU GRAVEMENTE SEU AMIGO MUSSA".

Surpreendido com o estranho ato, um dos ajudantes de Mussa observou respeitosamente:

— Senhor, da primeira vez, para exaltar a coragem de Nagib, mandou gravar na pedra o feito heróico. E agora que ele acaba de ofendê-lo tão gravemente, o senhor limita-se a escrever na areia incerta o ato de covardia. — acrescentou mais: — A primeira legenda ficará para sempre. Todos os que transitarem por este sítio, dela terão notícia. Esta outra, porém, riscada na areia, antes do cair da tarde terá desaparecido!

Mussa fitou o humilde servo e esclareceu:

— A razão é simples. O beneficio que recebi de Nagib permanecerá para sempre em meu coração. Mas a injúria... Essa negra injúria... Escrevo na areia, com o voto de que ela desapareça rapidamente não só do local onde a registrei, mas também das minhas lembranças.

Querido aluno, aí está uma grande verdade. Aprenda a gravar na pedra os favores que você recebe, os benefícios que lhe fazem, as palavras de carinho, simpatia e outras tantas que ouvir. Porém aprenda a escrever na areia as injúrias, as ingratidões, as ironias que lhe ferirem a vida. Só dessa maneira serás feliz.

Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Mateus 6:14.

Extraído de: Histórias Evangélicas – Volume 2 – Editora: Letras Santas.

Um comentário:

Patrícia Fonseca disse...

Que coisa mais linda de se ler e aprender!
Grata por compartilhar.
Beijo.

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